A ausência de concursos periódicos para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem sido motivo de muitas críticas do economista e presidente da autarquia, Leonardo Pereira.

Sem realizar concurso desde 2010, há um déficit de 117 servidores, com a estimativa de que até o fim deste ano esse número suba para 173, em razão de aposentadorias e exonerações.

Segundo a Assessoria de Comunicação da CVM, para reverter esse quadro, será solicitado um concurso ao Ministério do Planejamento, para os cargos de agente executivo (nível médio), analista e inspetor (superior).

Ainda não foi divulgado o quantitativo de vagas e sua distribuição pelas funções, contudo, acredita-se que o pedido ocorra nos mesmos moldes do anterior, feito em 2016 pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: 40 vagas para nível médio e 40 para o superior, 84% delas para o Rio de Janeiro.

Além das remunerações atrativas, de R$5.634,43 para o cargo de agente executivo e R$15.461,70 para analista e inspetor, já acrescidos de auxílio-alimentação de R$458, os servidores do CVM contam com uma série de benefícios, como adicionais de qualificação e de cursos de capacitação, assim como o auxílio-creche (R$321).

Em relatório divulgado no final do ano passado, o presidente da CVM afirma que várias inovações e complexidades surgiram em função da evolução do próprio mercado de capitais, o que tem “tem exigido cada vez mais o aperfeiçoamento e a capacitação do corpo técnico”.

Além disso, segundo ele, o quadro previsto para 2017 é o mesmo de 2009, quando a “criticidade da situação motivou a realização de um novo concurso”. Por essas razões, há grandes chances de que o concurso seja autorizado este ano, quando a CVM passará por inspeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), que entre outros aspectos, avalia o quadro de pessoal.

Realizado em 2010, o último concurso proporcionou o ingresso de 236 servidores, entre os anos de 2011 e 2016, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os candidatos foram submetidos a exames objetivos e discursivos. O cargo mais disputado foi agente executivo, que contou com relação candidatos/vaga de 320 (RJ) e 713 (SP).

Programa anterior é a melhor referência

Com a previsão de a CVM realizar novo concurso em breve, os interessados em concorrer a uma vaga de agente executivo deve iniciar o quanto antes a preparação, segundo especialistas na área. Por exigir apenas o nível médio e oferecer remuneração de R$5.634, a tendência é de que ocorra uma grande concorrência para essa função.

Para o professor Marcus Silva, estudar antecipadamente pode garantir a aprovação em um concurso concorrido com o do CVM. Segundo o especialista, os futuros candidatos precisam estudar com base no programa da última seleção, realizada em 2010.

Embora o último concurso tenha sido realizado em 2010, pela Esaf, Marcus acredita que o conteúdo programático não vá sofrer alterações. “As disciplinas cobradas possuem muita afinidade com as atribuições dos cargos. Pode ser que ocorra uma ou outra mudança, mas a estrutura principal está neste último edital.”

Para Marcus Silva, as disciplinas de Língua Portuguesa, Estrutura de Mercados de Valores Mobiliários e Administração Pública e Geral merecem atenção especial dos candidatos, sobretudo de quem pretende concorrer a uma vaga de agente executivo.

“Logicamente, há assuntos específicos para cada cargo, mas estes são muito importantes para os que desejam a aprovação. Para o cargo de agente executivo, por exemplo, Administração Pública e Geral possuem um peso muito grande na nota final.”

O professor diz que as chances de obter a aprovação serão maiores para quem iniciar a preparação desde já.

“Antecedência é fundamental para aumentar as chances de sucesso. São vários os fatores que levam à aprovação, mas a antecedência é crucial. Nesse cenário, a organização e o tempo a favor ajudam bastante, diminuindo a ansiedade e ajudando a manter a calma ao longo da preparação”, garantiu o professor.

Fonte: JusBrasil.