As micro e pequenas indústrias começaram o ano com mais dificuldade para acessar linhas de crédito, segundo dados de uma pesquisa do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), antecipada com exclusividade para o DCI.

Em janeiro, apenas 11% dos entrevistados pelo Simpi conseguiram usar linhas de crédito para pessoas jurídicas. No mesmo período do ano passado, esse indicador era de 14%, já mostrando a maior dificuldade dos empresários em conseguir recursos juntos aos bancos.

“Não há crédito no mercado e as indústrias estão sem alternativa para se financiar e manter o capital de giro necessário. Além disso, os juros do cheque especial e do empréstimo pessoal são impagáveis”, afirmou o presidente do Simpi, Joseph Couri, em entrevista ao DCI.

O recuo na oferta de crédito chegou até linhas menos acessadas e de maior risco para os industriais, como o cheque especial. O percentual de entrevistados que conseguiu usar essa categoria caiu de 23% em janeiro de 2016 para 18% neste ano.

As linhas de empréstimo pessoal no banco também foram menos usadas, com apenas 6% dos entrevistados conseguindo recursos em janeiro deste ano, queda dois pontos percentuais na comparação com o ano anterior.

“As micro e pequenas são impactadas negativamente em duas pontas pela restrição ao crédito. Elas precisam reduzir estoques, pela necessidade de pagar à vista todas as compras, e do lado dos fornecedores e clientes também sofrem, porque muitas vezes eles são de pequeno porte e não têm recursos para financiar encomendas”, explicou o economista Roberto Luis Troster.

De acordo com a pesquisa do Simpi, 60% dos empresários avalia que o capital de giro próprio disponível atualmente não é suficiente para sustentar o funcionamento da empresa.

Na avaliação de Troster, a melhora das perspectivas para as micro e pequenas passa por uma mudança na dinâmica de oferta de crédito. “Mas não sei se isso vai acontecer, até porque muitas vezes essa disponibilidade depende das instituições privadas”, observou ele.

Pleito

As indústrias de menor porte vêm pedindo mudanças no modelo de concessão de crédito há anos, mas na avaliação das fontes ouvidas pelo DCI, a situação não melhorou. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal banco de fomento do setor produtivo no País, sempre declarou ter linhas de crédito para empresas menores, mas muitos empresários do setor industrial ainda reclamam da dificuldade de acesso aos recursos.

Em 2016, os desembolsos do BNDES caíram em todas as categorias por tamanho de empresa, com retração total de 35% para R$ 88,257 bilhões. Nas micro, pequenas e médias (MPME), o desembolso caiu 30,8% para R$ 27,241 bilhões.

A fabricante de cosméticos Phytotratha teve a linha de crédito com o BNDES cancelada no fim do ano passado. Segundo a diretora da empresa, Mirian Porser, as taxas para a renovação do crédito com o banco foram pagas em março de 2016, chegando a cerca de R$ 2 mil. Em maio, o limite da empresa foi reduzido para um terço do original. “Em dezembro nossa linha foi cancelada sem nenhuma explicação.”

A linha de crédito, contou Miriam, seria usada para financiar uma nova máquina. “Se isso dificultou para nós, que estamos com uma situação boa de caixa, deve ser ainda pior para quem está no limite das contas”, lembrou ela.

Para Couri, do Simpi, a redução das multas e dos juros no Programa de Recuperação Fiscal, o Refis, também ajudaria a desafogar o caixa das empresas menores. “É preciso que as multas e juros do Refis não comprometam mais do que 1% do faturamento dessas empresas, para ser uma solução viável”, defende o dirigente.

Fonte: JusBrasil.